Técnicas construtivas

Adobe

Adobes são os tradicionais tijolos de terra que acompanham os seres humanos há pelo menos 6 mil anos.

Por não serem queimados, têm custo energético e ambiental de cerca de 1% dos tijolos cerâmicos. Por serem tijolos, é uma técnica de fácil assimilação para a mão-de-obra da construção civil acostumada a trabalhar com qualquer tipo de tijolo.

Em 2020 foi publicada a norma da ABNT NBR 16814 - Adobe: Requisitos e métodos de ensaio, fruto de trabalhos da Rede Terra Brasil junto à ABNT. Esta técnica tem potencial estrutural, ou seja, as paredes podem ser utilizadas também como estrutura da edificação, otimizando a construção. Para bom desempenho e durabilidade o projeto deverá considerar a utilização desta técnica desde a concepção e alguns aspectos geométricos precisam ser levados em conta para isso, como esbeltez e comprimento livre das paredes, além de demais decisões referentes à arquitetura. Costumamos utilizar adobes com 15 cm a 20 cm nos nossos projetos.

Para produzir adobes é necessário ter fôrmas, geralmente de madeira ou metálica, bem esquadrejadas. O solo deve ter suas características mineralógicas e granulométricas consideradas para avaliação da viabilidade de aplicação desta técnica, como em todas as outras técnicas de construção com terra. Construções de adobe podem ter acabamento com adobes aparentes ou rebocados.

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BTC - Tijolo Ecológico

Cada vez mais populares, os também chamados tijolos ecológicos são blocos produzidos com terra compactada estabilizada com uma proporção de cerca de 10% de cimento.

Os furos que possuem são utilizados para embutir instalações elétricas e hidráulicas, além de uma estrutura em concreto armado.

É uma técnica versátil, que permite fácil assimilação da mão-de-obra convencional, porém possui detalhes específicos que demandam orientação especializada para a execução. Com espessura comum de 12,5 cm as paredes de BTC conferem menos qualidade térmica e acústica do que a maioria das técnicas de construção com terra. Ainda assim, oferecem ambientes potencialmente mais confortáveis do que tijolos cerâmicos com rebocos de cimento.

A construção com BTC necessita de planejamento desde a etapa de projeto, para modular os ambientes corretamente, baseado nas dimensões dos tijolos e conceber bem as aberturas e o sistema estrutural embutido. A bioclimática é extremamente importante.

A redução de custo das paredes oferecida por essa técnica, em comparação às paredes de materiais industrializados, só é factível quando bem planejada e se aproveita todos os potenciais delas, como não necessitar de revestimentos, bom andamento do fluxo de obra, estrutura interna bem dimensionada para evitar problemas com a composição de esquadrias e pavimentos, nível, etc.

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COB e Cordwood

COB é uma técnica que utiliza uma massa rica em fibras e granulometricamente estabilizada para esculpir diretamente a parede de forma manual, permitindo formas orgânicas e ampla variedade de manifestações artísticas no processo construtivo.

Pela sua característica artesanal, a espessura pode ser escolhida livremente. Paredes com mais de 30 cm de espessura podem ter função estrutural.

A massa de COB é uma massa de terra muito forte e com diversas aplicações em obras gerais de Bioconstrução. A exemplo do CORDWOOD, quando tocos de madeira, são assentados com massa de COB. O mesmo pode ser feito com garrafas de vidro e outros elementos.

Cúpulas e abóbodas

Há milênios o ser humano utiliza arcos, cúpulas e abóbadas nas construções. Essas geometrias carregam o mistério da harmonia do universo em seus padrões matemáticos.

Determinados padrões de curvas oferecem naturalmente uma estabilidade às estruturas. Desta forma, é possível cobrir vãos sem utilizar aço ou madeira, apenas com tijolos e a estabilização geométrica dos arcos, no caso de vãos lineares como os arcos, e das cúpulas e abóbadas, no caso dos vãos espaciais.

Há uma grande variedade de tipos de arcos utilizados para compôr cúpulas e abóbadas e cada um pode ser mais apropriado a depender dos aspectos de projeto e condições de obra. Mas geralmente os arcos catenários são a melhor opção. Alguns necessitam de fôrmas e outras não.

Em projetos com maior grau de personalização, utilizamos este artifício. Na capela para Nossa Senhora Aparecida, construímos um domo gótico de terra ensacada. Na Casa célula construímos 3 abóbadas mexicanas em parceria com o amigo Henrique. Em Apuã Gamarra, participamos de um curso de abóbada canônica de adobes, onde iniciamos a prática com os arcos espaciais.

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Hiperadobe (Terra Ensacada)

Paredes de hiperadobe chamam a atenção pela sua espessura (geralmente 35 cm), resistência e desempenho térmico e acústico.

Esta técnica derivou do superadobe, substituindo os sacos de ráfia pela malha raschel, e rapidamente ganhou espaço nos canteiros de obras de bioconstrução do Brasil.

Consiste em preencher um saco com terra arenosa e úmida e compactá-la em seguida. Daí o termo terra ensacada. A comunidade acadêmica da construção com terra no Brasil tem ressalvas ao termo hiperadobe, para evitar comparações e hierarquizações com o adobe, já que são técnicas completamente diferentes.

O processo construtivo envolve etapas de fácil assimilação, porém contam com diversos detalhes que precisam ser observados para boa execução. Manusear o saco raschel é simples e a técnica possibilita fácil construção de formas orgânicas como elipses.

Edificações de hiperadobe devem ser projetadas por especialistas, para maximizar suas vantagens. Se aplicadas sem considerar as suas especificidades, podem oferecer resultado contrário ao desejado devido a sua alta inércia térmica e particularidades do processo executivo.

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Pau a Pique

Uma das técnicas de construção com terra mais populares e diversas do Brasil.

Existem diversos nomes para ela e diferentes tipos de paredes de pau a pique, com variações de espessuras e de composição de madeiras.

Esta técnica é de vedação, ou seja, necessita de uma estrutura principal, que usualmente é composta por pórticos de madeira (sistemas de pilares + vigas). Os elementos de madeira horizontais podem ser de bambu, galhos retilíneos ou ripas.

A depender da espessura desejada para a parede, a conformação do sistema reticulado se altera. A massa de barro que preenche a estrutura também pode ter diferentes composições. Uma das principais vantagens desta técnica é a simplicidade do processo de preenchimento e ripamento, que favorece grandes mutirões.

Paredes de pau a pique demandam atenção especial à etapa de revestimentos, para proteger bem as madeiras ao mesmo tempo em que se evitam fissuras e rachaduras na sua superfície.

Em 2025 foi publicada na ABNT a norma técnica NBR 17249 - Sistema entramado de vedação com terra (SEVT) - Requisitos, procedimentos e controle.

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Revestimentos naturais

Rebocos e emboços à base de terra conservam as características higroscópicas do material, isto é, a capacidade de trocar umidade com o ar do ambiente.

É o que confere aos ambientes construídos com terra alto índice de salubridade naturalmente, nunca muito úmidos ou muito secos, além do controle à proliferação de poeiras.

É necessária uma análise aprofundada das características do solo a ser utilizado, para que a superfície final não apresente fissuras ou rachaduras comumente associadas a construções com terra edificadas em contexto de vulnerabilidade e escassez. Tal fato se deve à natureza das lâminas de argila, que se expandem e retraem conforme expostas à água. Esta característica precisa ser equilibrada com outros grãos e componentes que formam as massas de reboco.

Inúmeros ingredientes naturais podem ser adicionados aos rebocos de terra para potencializar determinadas funções. O mundo dos rebocos naturais é uma verdadeira alquimia, onde terra, areia, água, óleos, cal, fibras naturais como capins e palhas, cactos e até mesmo esterco podem ser misturados para obtenção de uma massa plástica de bom desempenho.

A cal é um componente também muito utilizado por nós nos revestimentos naturais, do Tadelakt aos rebocos de terra e cal. O processo de carbonatação que ela passa ao longo da secagem confere sustentabilidade às intervenções pois absorve alto volume de gás carbônico da atmosfera, comparável ao que é emitido durante a queima da sua produção. Consideramos uma matéria-prima ecológica e sustentável, que aliada à terra oferece revestimentos de qualidade, quando executados corretamente.

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Tadelakt

Revestimento de tradição marroquina à base de cal. Nesta técnica, a cal é rigorosamente trabalhada, podendo ser misturada a agregados derivados de rochas e mármores.

Uma massa de granulometria muito fina é produzida e aplicada em sucessivas camadas sobre a parede. A execução é criteriosa e o processo de secagem é cuidadosamente monitorado, enquanto todos os poros da massa são fechados. Ao final, o polimento e a aplicação de uma solução de sabão neutro selam o revestimento resultando em uma superfície única, e extremamente lisa.

Pode-se dizer que o aspecto final de uma parede de tadelakt é o mesmo que o de uma parede revestida com uma peça inteira de mármore ou granito. Por ser à base de cal, esse revestimento preserva em certa medida a característica higroscópica das paredes de terra.

Taipa de Pilão

Imponente, a taipa de pilão ganha cada vez mais espaço nas obras brasileiras.

Esta técnica se baseia na compactação de terra em estado úmido dentro de uma fôrma, formando um bloco monolítico de terra. Pela característica lisa da superfície da fôrma, obtém-se um aspecto visual bonito e elegante.

A execução é criteriosa e trabalhosa, porém ao final a parede já está finalizada, sem demandar emboço ou reboco. Apenas se aplica uma resina hidrofugante para proteção da superfície.

As paredes de taipa de pilão podem ter função estrutural e geralmente possuem 30 cm a 40 cm de espessura. As fôrmas podem ser de madeira ou metálicas. É possível utilizar terras de diferentes cores para um resultado estético mais orgânico.

Em 2022 foi publicada a norma NBR 17014 - Taipa de pilão - Requisitos, procedimentos e controle.

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Tintas

A tinta é a última camada das paredes e também é possível produzí-las utilizando a terra como principal matéria-prima.

Diferentes tipos de argilas possuem as mais variadas tonalidades de cores: marrom, vermelho, amarelo, lilás, branco, rosa, verde e até azul. Ao misturar a terra, que possui o pigmento, com água (diluente) e aglutinante obtemos como resultado uma tinta natural, saudável e bonita. Assim como toda técnica de construção com terra, é necessário analisar as características do solo antes. Para uma boa tinta os materiais devem ser processados e os grãos mais finos selecionados.

A tinta de terra confere mais sustentabilidade e saúde às edificações e aos trabalhadores. Todos conhecemos aquele característico cheiro forte e desagradável de ambientes que foram recentemente pintados com tintas industrializadas. Este cheiro nada mais é do que gases que estamos inalando continuamente. Muitas vezes são compostos orgânicos voláteis (COVs), compostos cancerígenos.

Com a mistura certa produzimos tintas de terra de ótima qualidade.

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